Jurisdicionada à Sereníssima Grande Loja do Estado de São Paulo

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20 de Agosto, Dia do Maçom

Ir.'. Paulo Roberto Armelin
A.'.R.'.L.'.S.'. 31 de Março Nº 152


À G.'.D.'.G.'.A.'.D.'.U.'.

Hoje trataremos de forma muito especial desta data de 20 de agosto, oportunidade que nos permite uma reflexão da história da maçonaria no Brasil. Uma história de amor e respeito ao Brasil e ao povo brasileiro, portanto uma data comemorativa que muito nos honra, pois esta efeméride é nossa também.

Que este dia do Maçom se perpetue na linha do tempo como um justo e merecido  tributo à instituição maçônica no Brasil, e que  as  realizações e os feitos maçônicos em solo brasileiro sirva-nos de inspiração, mantendo-nos sempre vigilantes, no sentido de que, jamais nos afastemos dos valores que haveremos de cultivar, em defesa da paz, da Liberdade e da ordem em nosso país.   O fato histórico que oficializou essa data tão importante acorreu em 1957, por ocasião da V mesa redonda das Grandes Lojas do Brasil, realizada em Santa Catarina. O dia 20 de agosto foi escolhido porque “nesse dia” a Independência do Brasil fora proclamada dentro de um templo maçônico.  

Ocorre que existe, hoje, uma divergência muito grande, não quanto à veracidade dos fatos, mas por uma confusão de calendário.  Vejamos. Segundo  ata de seção  realizada em loja maçônica do Rio de janeiro,  podemos encontrar o seguinte registro: “ocorreu no Rio de Janeiro”, com as Lojas "Comércio e Artes"; "União e Tranquilidade" e "Esperança de Niterói" “Sessão Extraordinária”, com o especificado fim adiante declarado, sendo também presidida pelo sobredito 1º Grande Vigilante Joaquim Gonçalves Ledo, no impedimento do Grão-Mestre José Bonifácio dirigindo do Sólio, enérgico e fundado discurso, demonstrando, com as mais sólidas razões, que as atuais políticas circunstanciais de nossa pátria, o rico, fértil e poderoso Brasil, demandavam e exigiam, imperiosamente, que a sua categoria fosse inabalavelmente firmada, com a proclamação da nossa independência”. Esta ata é datada do 20º dia do 6º mês de 1822.   Por certo, os Irmãos que sacramentaram o dia 20 de agosto (em Santa Catarina) como dia do maçom -percebam que esta data representa uma antecipação de 20 dias da histórica data de 07 de setembro- não levaram em consideração que, naquela ocasião, nossos registros maçônicos e a História do Grande Oriente Brasileiro seguiam o calendário hebraico e não o calendário Gregoriano. Isso significa que o 6º mês, que corresponde ao mês hebraico de ELUL, inicia-se no dia 21 de agosto e termina no dia 20 de setembro, numa correlação bem diferente do  calendário Gregoriano. Logo é possível perceber que a Proclamação da Independência pelas Lojas maçônicas no Rio de Janeiro aconteceu em  de 09/09/1822, portanto dois dias após a proclamação feita por D. Pedro I nas margens do Ipiranga em São Paulo.    Os calendários maçônicos adotados na época obedeciam ao sistema hebraico, que contam o tempo desde o início da Era Cristã.  Na nossa contagem do tempo, acrescentam 4.000 anos a mais ao ano vigente.  Neste sentido podemos compreender e diferenciar a ERA VULGAR da ERA VERDADEIRA LUZ.     Hoje, o dia 20 DE AGOSTO, DIA DO MAÇOM, é uma efeméride nacional consagrada e, como tal, deve ser comemorada com toda pompa, pois a Maçonaria em muito contribuiu para a efetiva emancipação político-social do Brasil e os Maçons, de um modo geral, devem reverenciar os responsáveis pelas ideias e pelas efetivas ações. O maçom, no entanto, não deve compreender analisar e estudar esse fato histórico ligado a maçonaria sem inseri-lo no contexto da história brasileira. Nenhum fato deve ser analisado isoladamente, pois corre o risco do ufanismo exagerado e inconsequente ou da precipitação que conduz ao erro histórico.  

Deixando um pouco esta questão de datas, o mais importante é que a instituição maçônica representa um ideal que devemos perpetuar no direito à Liberdade, no direito à cidadania, pois com a liberdade conquistamos o direito de sermos um povo e uma nação. Este ideal não pode, jamais, deixar de existir no coração do homem maçônico.   Como podemos observar pelas experiências registradas na história humana, as conquistas e as heroicas vitórias, com o passar do tempo, perdem contato com as gerações que se seguem. Isto significa que, muitas vezes por ignorância, por falta de conhecimento da história, essas gerações podem pôr em risco  todas as conquistas alcançadas  com muito sacrifício pelas gerações passadas. Assim é que os maçons devem velar permanentemente pela Liberdade e se apresentar junto à sociedade como  incansável guardiões  do direito à Liberdade.   Os perigos sempre existirão e hoje  vivemos  num mundo dos encantamentos, vivemos num mundo de sereias que cantam suavemente em nossos ouvidos, que nos seduzem com os prazeres e com as facilidades frívolas e inconsequentes, porém, devemos resistir a estes encantamentos. Resistir ao Ter em detrimento do Ser, resistir a deixar de acumular mais do que aquilo de que precisamos. Muitos podem renunciar a uma vida mais espiritualizada para viver acumulando  coisas e “badulaques” desnecessários à vida, no entanto é necessária a oposição  às atitudes de injustiças, mesmo contra aqueles que nos odeiam. Devemos resistir às atitudes de violência, mesmo com aqueles que, muitas vezes, nos violentam.

Nós maçons escolhemos uma tarefa bastante árdua para nossas vidas. Escolhemos o caminho da Verdade, da Liberdade e do Amor. A verdade que se encontra pela busca incansável da sabedoria, a liberdade conseguida com muita luta pela força do trabalho e o amor encontrado num permanente propósito de alcançar a felicidade. Caminho difícil e espinhoso. Caminho que somente pode ser trilhado por homens esclarecidos da verdadeira noção  do existir humano. Seguir por caminhos assim tão exigentes requer uma permanente vigilância e renuncia. Vigilância para não ceder aos encantamentos das sereias e do falso brilho das coisas, e renuncia para desvencilhar das futilidades e manter firme ao  projeto de edificar uma sociedade mais fraterna.      Nada, absolutamente nada será maior que este nosso desejo. Nada, absolutamente nada, conseguirá nos desviar destas  metas. As decisões no mundo não-maçônico devem refletir o ideário maçônico, pois assim estaremos contribuindo para o engrandecimento de nossa Ordem e ao mesmo tempo dando uma contribuição para o país.     “O papel do maçom numa sociedade moderna, ultra especializada e altamente tecnológica é o de usar a ciência e a tecnologia a serviço das nossas realizações diárias, sem nos afastarmos um milímetro de nossas tradições: morais, intelectuais, culturais, ritualísticas e esotéricas; cabe ao maçom no mundo não-maçônico a busca de novos conceitos, tão reclamados pela sociedade, que possam determinar a ética das relações Homem-Tecnologia, Ser-Máquina, pois assim estará contribuindo para que as grandes conquistas científicas e tecnológicas possam servir aos objetivos traçados pela nossa Ordem, que busca a felicidade e a paz da Humanidade; que as máquinas não desumanizem o relacionamento humano, mas que possam ser ferramentas que auxiliem o progresso da Humanidade”. 

Cabe ainda ao maçom, lutar para que as conquistas científicas, econômicas e sociais contribuam para diminuir e amenizar as desigualdades entre os homens, através da divisão fraternal dos bens. E enfim, lutar para que a cada ser humano, dentro de suas capacidades, sejam dadas as oportunidades de auto-realização e do exercício consciente da cidadania, por meio  de um processo educacional da consciência dos direitos e deveres da pessoa.   O nosso papel na Ordem, nesse inicio do terceiro milênio, pode ser desempenhado das mais variadas formas: o dedicado estudo e pesquisa dos aspectos esotéricos e iniciáticos; a busca incessante da compreensão e da razão de ser de nosso papel social. Podemos até por em prática uma desinteressada filantropia, que procure minimizar a cruel desigualdade social de nossos dias.   Que esse DIA DO MAÇOM, seja um dia de reflexão ativa, um dia de repensar para agir sobre o que realmente estamos fazendo em prol de nossa Ordem e como poderemos, a partir de hoje, contribuir para a melhoria dela. Esse agir cabe a nós, privilegiados herdeiros de antepassados que nos legaram a ordem na qual estamos. É, portanto,  exigido de nós, que deixemos também para as gerações futuras uma Maçonaria em que essas gerações também possam ver a Luz que orienta nossas ações.   Meditemos a respeito de nosso futuro e peçamos ao Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, as luzes necessárias para encontrarmos um caminho nesse mundo repleto de violência.  

Espero que estas reflexões possam reforçar nossa confiança na Instituição Maçônica e ampliar em nossos corações, um desejo coletivo de que juntos concretizemos, com a força do malho e do cinzel, a esperança de uma sociedade mais justa e fraterna em que o homem seja a expressão verdadeira do GADU.