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A Segurança em Parques de Diversões

Ir∴ Pasqual Satalino
A∴ R∴ L∴ S∴ 31 de Março Nº 152

À G∴ D∴ G∴ A∴ D∴ U∴


Após o incidente, que ocasionou a morte da adolescente Gabriela Youkuri Michelari, de 14 anos, no parque de diversões Hopi Hari, em Vinhedo, a discussão sobre a segurança nestes estabelecimentos voltou á tona. Especialmente porque os parques itinerantes constantemente visitam cidades e podem colocar em risco a vida de diversas pessoas.

Como engenheiro mecânico e engenheiro de segurança do trabalho, atuando em perícias, laudos, avaliações e também em vistorias de brinquedos mecânicos, considero como falta de fiscalização pelo Poder Público, já que os documentos exigidos para a concessão dos alvarás de funcionamento nem sempre são suficientes para garantir a segurança.

Em algumas Prefeituras, por exemplo, de acordo com a assessoria de imprensa, as Secretarias Municipais responsáveis, exigem dos parques de diversões, circos e outros eventos, um laudo técnico do engenheiro responsável com a apresentação da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), devidamente recolhida, e por fim a vistoria do Corpo de Bombeiros. Após a análise dos documentos, o alvará temporário é dado ao estabelecimento.

“Todo parque deveria passar por um crivo de engenheiros, teria que ser mais de um profissional. Qualquer engenheiro que possa assinar, a Prefeitura aceita, mas depois ela vai lá fiscalizar? Isso é um problema, a maneira como é fiscalizado. A Prefeitura dá o alvará porque tem um laudo disso, laudo daquilo, mas e depois? Sem contar que ás vezes o profissional que emitiu a ART ( o engenheiro que se responsabiliza pelas instalações do local) nem vai ao local para realizar a vistoria.

Na nossa região em março de 2010, a RPT (Região do Polo Têxtil) teve um caso semelhante ao do Hopi Hari, em Hortolândia, quando uma menina, também de 14 anos, foi arremessada de uma altura de 5 metros de um brinquedo de um parque e morreu.

ART não é garantia de segurança, a posse da ART emitida por um profissional nem sempre garante que as instalações estão dentro dos padrões de segurança, já que existem formas ilícitas de se conseguir este documento. (ART)

Não é porque existe uma ART que não vai acontecer acidentes. Lamento o fato de os pais de famílias não terem outra forma que não seja a cobrança perante as autoridades para a proteção de seus filhos. “O que podemos fazer é cobrar dos órgãos públicos mesmo. Quem deve fiscalizar isso é quem tem poder de embargo, ou seja, o poder público”.

Finalizando, em minha opinião o Poder Público deveria exigir o fornecimento do alvará de funcionamento para qualquer evento público, o laudo do profissional das seguintes áreas da engenharia, isto é, laudo de: engenheiro mecânico, engenheiro eletricista, engenheiro de segurança do trabalho, engenheiro civil, e também durante o período do evento exigir que o profissional realize vistorias constantes .

Os piores acidentes em parques de diversão no mundo:

1)Roda Gigante (Festival –índia)
Data: 28 de Maio de 2003
12 mortos e 20 feridos

2) Haunted Castle (Six falgs Adventure – Estados Unidos)
Data: 11 de Maio de 1984
08 Mortos e 07 feridos

3) Space Journey (Ecoventure Valley – China)
Data: 29 de Junho de 2010
06 Mortos e 10 feridos

4) Big Dipper (Battersea Park Fun Fair – Inglaterra)
Data: 05 de Maio de 1972
05 Mortos e vários feridos

5) Giant Weehl (World Carnival – Coréia do Sul)
Data: 13 de Agosto de 2007
05 Mortos

6) Mind Bender (Fantasy Land – Canadá)
Data: 14 de Junho de 1986
03 Mortos e 01 ferido

7) Booster (Fete Des Loges – França)
Data: 04 de Agosto de 2007
02 Mortos e 02 feridos

8) Fashion Island (Tailândia)
Data: 23 de Julho de 2002
02 Mortos e 02 feridos

9) Fujin Raijin II (Expoland – Japão)
Data: 05 de Maio de 2007
01 Morto e 19 feridos

10) Big Thunder Mountain Rail Road (Disneylândia – Estados Unidos)
Data: 05 de Setembro de 2003
01 Morto e 10 feridos  

Parques de diversão brasileiros:
1)Playcenter
Data: 10 de Janeiro de 1995
01 ferido
Data: Agosto de 1998
01 morto

2) Hopi Hari
Data: Outubro de 2007
01 morto
Data: 24 de Fevereiro de 2012
1 morto

3) Beto Carrero Word (Circo)
Data: Abril de 2007
03 mortos  

Considero que para evitar acidentes nos brinquedos, a primeira medida dos responsáveis deve ser avaliar o estado geral dos brinquedos e do espaço.

Algumas Dicas

Brinquedos quebrados, com ferrugem e fios emaranhados denunciam a falta de manutenção e de cuidado. O maior risco costuma estar nos parques itinerantes.

-Cuidado com os remendos. O carrinho que se desprendeu do brinquedo e matou dois jovens em Vargem Grande, no Rio de Janeiro, recentemente, estava remendando com cola feita de resina. É importante tentar avaliar se as peças dos brinquedos estão bem presas.

-Respeite sempre as regras de segurança. Esteja sempre perto de seu filho, respeite a altura permitida nos brinquedos (que deve estar indicado) e verifique se os cintos e travas estão firmes. As placas devem conter o ano de fabricação dos brinquedos e data da última revisão ou manutenção realizada.

-Pistas de skate, patinação e kart devem oferecer equipamentos apropriados, como capacete e cintos de segurança, além de isolamento de proteção de pista e equipe com profissionais habilitados para possíveis casos de acidentes.

-Fique atento na conservação dos parques. Estruturas devem estar firmes no chão, não apresentar rachaduras ou deterioração. É preciso avaliar se existem peças pontiagudas aparentes. As roscas de parafusos salientes devem ter acabamentos de proteção.

-Em parques aquáticos, menores de 12 anos não podem entrar sem a supervisão de um maior. Toda piscina aberta ao público deve ter um salva-vidas devidamente formado e identificado. O uso de boias nem sempre garante a segurança infantil. O colete é mais seguro. Cada tobogã deve contar com dois profissionais: um para coordenar a descida e um salva-vidas para auxiliar quem chega na água.

-Veja se há alguma informação sobre a montagem do brinquedo que deve ser checada por um responsável e, todos os dias, os brinquedos devem ser verificados e ligados para ver se está tudo bem.

-Por último, é importante também cobrar as autoridades, a fiscalização desses locais com o intuito de proibir que funcionem. O fato de estarem abertos ao público pressupõe que estão dentro da lei com a segurança necessária. Mas nem sempre isso é verdade.

Assim sendo, fique alerta! Tome bastante cuidado para não se tornar a próxima vítima dos parques de diversões abandonados!

Pasqual Satalino
Engenheiro Mecânico
Engenheiro de Segurança do Trabalho
Ex-Vice-Presidente da Associação dos Engenheiros e Arquietos de Limeira (AEAL)
Ex-Diretor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (CREA/SP)
Membro do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de São Paulo (IBAPE-SP)