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Tecnologia e Sociedade

Ir.'. Edenilson Ismael Simoni
A.'.R.'.L.'.S.'. 31 de Março Nº 152


À G.'.D.'.G.'.A.'.D.'.U.'.

A história da tecnologia é ligada a ferramentas e técnicas úteis para fazer coisas práticas e está ligada diretamente ao desenvolvimento científico, que inclui a maneira de como os seres humanos adquiriram conhecimentos. As inovações tecnológicas afetam e são afetadas de acordo com os costumes e tradições de cada região.

Algumas das tecnologias primitivas foram responsáveis por mudanças globais e são aplicadas e usadas até os dias de hoje, sendo a roda, uma delas. Embora não haja registros da evolução tecnológica de alguns povos e culturas, existem provas de seus empreendimentos. Os egípcios inventaram e usaram muitas máquinas simples, como a rampa e a alavanca, para auxiliar os seus processos da construção. O suporte de escrita egípcio, feito do papiro, e a cerâmica, foram produzidos e exportados para toda a bacia do Mediterrâneo.

As técnicas de construção e arquitetura indianas, compendiadas nos 'Vaastu Shastra", incluíam detalhes e plantas baseados em princípios científicos como a resistência dos materiais, a altura ideal da construção, a presença de fontes de água adequadas e a luz que preserva a higiene. É uma das primeiras ciências da construção a ser assim tão completa.

Os chineses foram pioneiros em muitas descobertas e desenvolvimentos. As principais contribuições tecnológicas da China incluem os detectores de sismos, fósforos, papel, o ferro fundido, o arado de ferro, o carro de mão, a ponte suspensa, o para quedas, o gás natural como combustível, a bússola, a hélice, a besta, e a pólvora.

Os conhecimentos de engenharia dos incas eram grandes, mesmo quando medidos pelos padrões de hoje. Um exemplo é o uso nas suas construções de peças pesando mais de uma tonelada, colocadas de tal forma juntas que nem uma lâmina cabe entre elas. As aldeias usavam canais de irrigação e sistemas de drenagem, tornando a agricultura muito eficiente.

Analisado o termo revolução tecnológica, apesar de bastante amplo em seu significado, pode ser conceituado como “as invenções, as descobertas ou as criações realizadas pelo Homem, que afetam, de forma profunda, ampla e generalizada, os conhecimentos, os costumes e as práticas cotidianas do seu meio”.

Na verdade a evolução ou revolução tecnológica do homem está intimamente ligada com sua sobrevivência e a busca de melhorias na qualidade de vida. Mas a que custo ? Quanto devemos pagar por essa evolução. As vezes procuramos a evolução sem analisarmos os impactos que esta pode ocasionar na sociedade e até mesmo no meio em que vivemos.

Como acontecem as revoluções tecnológicas? Uma das premissas do materialismo de Karl Marx era a de que as evoluções significativas da capacidade de produção de uma sociedade tinha e tem como consequência, alterações nas relações de produção. Todos os componentes do processo produtivo se relacionam entre si. Devido a essas alterações, os costumes de um povo e seus respectivos valores sociais também se modificam. Notamos que constantemente em nossos dias há uma crescente e violenta expansão de conhecimentos científicos e tecnológicos aplicados à produção. Ao longo dos anos constatamos que ela, a “Revolução Tecnológica”, só aconteceu porque a sociedade a desejou. Toda revolução pode ser traumática no ponto de vista sociológico. O Brasil vivencia hoje uma verdadeira "revolução digital" na sociedade.

Qual o impacto da revolução tecnológica na sociedade na qual se insere? As alterações que a R.T. trouxe para a produção e os serviços produzem mudanças nas relações sociais. A tecnologia indica modos de produção, ou seja, a economia é condicionada pela tecnologia. De forma parecida acontece com a educação: não é a educação quem vai determinar a tecnologia, mas é a tecnologia que direciona as novas demandas educacionais. A economia é a relação entre sociedade e natureza mediada pelo trabalho. A R.T. deveria atender à "sobrevivência" do ser humano, mas se o contexto político-econômico é de "busca de lucro", o objetivo da tecnologia muda. Ao longo da História duas esferas sempre foram favorecidas pela Revolução Tecnológica: a produtiva e a militar.

As sociedades recebem a mesma tecnologia, mas o impacto é diferenciado. Por quê? Toda Revolução Tecnológica traz uma nova formação econômica e social. E dentro do histórico social há as diferenças nas estruturas e este fator altera os impactos nas diferentes sociedades. A forma como cada sociedade ou comunidade recebem essas novas tecnologias é o que vai diferenciar o impacto. O fato de países e regiões apresentarem diferenças quanto ao momento de dotarem seu povo do acesso ao poder da tecnologia representa fonte crucial de desigualdade em nossa sociedade.”

Hoje pedimos mais capacitação humana, conhecimentos técnicos, estudos avançados, mas continuamos a medir a capacidade operacional de uma empresa, ou o desenvolvimento de um país, mais pelo seu parque tecnológico, do que pela qualidade intelectual de seus colaboradores.

Por isso, face às propostas, planos e projetos de política científica e tecnológica, devemos sempre indagar: Para quê? Para quem? A que custo?

Os positivistas afirmam que ciência e tecnologia servem a toda a humanidade – vide os trabalhos de Pasteur, Koch, Sabin e tantos outros que salvaram milhões de vidas humanas. Afinal, o progresso técnico ajudaria a impelir o desenvolvimento da sociedade humana, vencendo a superstição e ignorância, ao imprimir maior racionalidade às ações humanas.

Afirma-se que a inovação e, particularmente, seus produtos tecnológicos estimulam a competitividade e, dessa forma, contribuem para o crescimento econômico do país. Consequentemente, a competitividade é erigida em valor supremo da vida social, como se fosse uma lei da natureza imanente à espécie humana.

Omite-se, que o mais longo período da história da vida humana foi orientado pela cooperação e a solidariedade, valores fundamentais para a sobrevivência da espécie. Considerar a competição como norma geral do comportamento social leva ao Darwinismo Social como filosofia dominante e relega a preocupação com o próximo ao segundo plano.

A ideologia da competição e produtividade faz parte de uma visão de mundo dominada pela corrida atrás da acumulação de capitais e do enriquecimento ilimitado, nem sempre por meios civilizados e legítimos. Para a sociedade, coletivamente, só haverá vantagens na busca de maior produtividade quando seus resultados forem distribuídos para elevar o nível de bem-estar coletivo.

Mas e o bem estar coletivo. Vemos um excelente exemplo na indústria farmacêutica. Gastão - se bilhões em pesquisas avançadas, na descoberta de novos remédios, mas esses mesmos remédios ficam sob o domínio de quem o desenvolveu. É justo que se vise lucro por aqueles que bancam pesquisas, mas até que ponto pode ser ético a detenção de determinada patente em prejuízo dos menos afortunados que não podem pagar. A pouco tempo atrás vimos nosso governo quebrando patente para produção e distribuição de medicamentos contra AIDS. O mesmo não pode ser feito pelo continente Africano. Porque, se é naquele continente onde estão os mais necessitados destes remédios.

Outro exemplo está no desenvolvimento aeroespacial. Mais uma vez bilhões são destinados para o espaço, enquanto na terra pessoas clamam por comida e água. Colocamos o desenvolvimento tecnológico acima do desenvolvimento humano, e como na cena de um filme de ficção, estamos caminhando para servir a tecnologia, quando essa era para nos ajudarmos a criar um mundo melhor para todos.

Os impactos ambientais tanto discutidos na atualidade é outro bom exemplo de um avanço irresponsável e criminoso. Deteriora-se o meio ambiente em que vivemos em prol do suposto avanço da humanidade, mas esquecemos que como um ser vivo a terra também reage, e senhores eu vos digo que não há tecnologia que possa com a força da natureza.

Seria então a hora de repensar a tecnologia ? Creio que sim. Devemos buscar novas formas, mais responsáveis de aplicação tecnológica a fim de voltarmos a essência da evolução humana, quando se desenvolvia para o bem comum da humanidade, essa que é, e sempre será a utopia dos verdadeiros Homens afortunados, Livres e de Bons Costumes.